segunda-feira, 12 de janeiro de 2009


"Coloca uma máscara que oculte a tristeza,

Um sorriso que mostre certeza."


Trecho de uma poesia retirada do Blog poemasdesarrumados.blogspot.com

Imagem/xilo: Ialê Cardoso


Quero ver o sol atrás do muro
Quero um refúgio que seja seguro
Uma nuvem branca sem pó, nem
fumaça
Quero um mundo feito sem porta ou
vidraça
Quero uma estrada que leve à verdade
Quero a floresta em lugar da cidade
Uma estrela pura de ar respirável
Quero um lago limpo de água potável

Quero voar de mãos dadas com você
Ganhar o espaço em bolhas de sabão
Escorregar pelas cachoeiras
Pintar o mundo de arco-íris

Quero rodar nas asas do girassol
Fazer cristais com gotas de orvalho
Cobrir de flores campos de aço
Beijar de leve a face da lua

Letra: Tomas Roth
Imagem: Ialê Cardoso


A menina curvou o olhar sobre a bicicleta,
Uma menina com imaginação, nos seus olhos
O verde pintou a Terra.
A menina aproveitou o vento
Que brandia as folhas e disse
-Vou pintar de verde a bicicleta,
Terei uma bicicleta verde
Para ser inteira com a natureza,
Se passar pelas folhas
Serei um vento mais
-Não será um raio azul, nem uma estrela
Amarela, nem sequer uma sombra vermelha,
Será um riso verde quando passar rolando.

Poesia:João Tomaz Parreira, Lisboa
Imagem: Ialê Cardoso





Eu sem você não tenho porque
porque sem você não sei nem chorar
Sou chama sem luz
jardim sem luar
luar sem amor
amor sem se dar
E eu sem você
sou só desamor
um barco sem mar
um campo sem flor
Tristeza que vai
tristeza que vem
Sem você meu amor eu não sou
ninguém




Letra: Samba em prelúdio( Vinícius de Moraes e Baden Powell)


Imagem: Ialê Cardoso



PARA KARLA E TREVI

sexta-feira, 5 de setembro de 2008





" MEU MUNDO É CERTAMENTE MAIS COLORIDO DO QUE O DA MAIORIA DAS PESSOAS"

Imagem: Ialê Cardoso
Palavras: Henry Matisse


A ÁRVORE DO CÉU

Ela, que esperara a noite, estava, enfim, diante dela em seu quarto. Antônia tinha esse costume. Voltava mais cedo para casa só para assistir a noite nascer em sua janela. Na pequenina cidade onde morava, no interior do Brasil, os dias eram quentes e as noites frescas. Nessa cidade, durante os dias, nas praças, meninos vendiam mangas suculentas em carrinhos de pedreiro. A noite, os jasmins cantavam seus perfumes, deixando um rastro doce pelo ar. Pois lá estava ela, em seu quarto, diante de um espetáculo que transformava o dia mole de calor em noite fresca e perfumada. Uma réstia de dia dormia embalada pelos grilos... Seu José passara de chapéu de palha do outro lado da rua. Volatava da quitanda. Uma bicicleta, um casal, uma senhora com um embrulho e uma garrafa d'água... A noite vinha. Havia uma atmosfera de tranqüilidade, típica das cidades do interior, cheias de árvores, de pessoas e pássaros ciscando nas ruas vazias.

Antônia tinha o costume de desenhar com giz de cera as constelações que apareciam no vidro da janela de seu quarto. Assim, acompanhava, noite após noite, o movimento dos astros, lentos aos olhos, mas de velocidade inimaginável, visto que cruzam os céus. Desenhava. Com uma vela acesa, que colocava vermelho no azul da noite, ela derretia a ponta de um giz de cera amarelo e encostava no vidro, no lugar em que uma estrela estava brilhando. Fazia o mesmo com o giz branco na lua, com o giz verde para Vênus, a estrela d'alva. Ao final de cada semana limpava o vidro com uma faca e começa a desenhar tudo de novo. Às vezes, ligava com linhas finas estrelas e planetas, inventava constelações. Uma parecia um gato, outra, uma xícara, uma fruta, um sorriso... E das imagens inventava histórias. Histórias que se passavam nos céus...

Como a do pássaro gigante. Depois de ligar as estrelas, viu na janela um pássaro feito com elas. Imaginou uma história onde cada planeta e estrela era um fruto brilhante. O espaço sideral era uma árvore infinita. Nela a noite doce vivia para sempre, e a luz das estrelas é que guiava todos os seres gigantes que habitavam a copa da árvore-céu. Havia entretanto um pássaro feito de uma constelação que voava e bicava os planetas como se fossem goiabas doces, ou tangerinas cheias de suco. Imaginando, riu. Talvez bicasse os planetas e deixasse cair sementes para que nascessem outros universos! Quis como nunca ser dona do pássaro que imaginara. No dia em que desenhou o grande pássaro na janela, sonhou.

Naquela noite, em seu sonho, o vidro da janela de seu quarto não tinha seus desenhos. Tinha sim o desenho de uma constelção em forma de árvove. No parapeito havia um pequenino pássaro de luz estelar. Encantada com a beleza do animal, perguntou se ele bicaria esse mundo de fruto azul, mas antes que o pássaro pudesse responder ela acordou.

Levantou-se e foi correndo para janela. Lá, diante de seus desenhos, em cima da madeira, não havia o pássaro de seu sonho. Havia uma semente. Semente essa que foi plantada em seu quintal e a ensinou, durente muitos anos, que para ser dona dos pássaros é preciso plantar árvores. Árvores da semente da liberdade. Como as árvores do céu.


Conto: Ricardo Raele
Imagem/Xilo: Ialê Cardoso

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Trevo de 4 folhas


Vivo esperando e procurando
Um trevo no meu jardim
Quatro folhinhas nascidas ao léu
Me levariam pertinho do céu

Feliz eu seria
E o trevo faria
Que ele voltasse pra mim
Vivo esperando e procurando
Um trevo no meu jardim

Canta: Nara leão
Imagem: Ialê